Confirmado: Bottas na Mercedes, Massa de volta a Williams e Wehrlein na Sauber

Quebra-cabeça do mercado de pilotos, enfim, está completo - Foto: Reprodução Twitter da Mercedes

Ôôôô segunda-feira movimentada - Valtteri Bottas confirmado na Mercedes, Felipe Massa de volta à Williams após dois meses de aposentadoria e, de quebra, Pascal Wehrlein com vaga assegurada na Sauber. A segunda-feira cheia de anúncios na Fórmula 1 serviu para acabar com boatos e especulações sobre o futuro desses três pilotos, que ficaram em aberto depois de Nico Rosberg decidir se aposentar, no início de dezembro.

Aliás, tais boatos e especulações ocorriam somente pela falta de confirmação oficial das equipes quanto às contratações. No fim de 2016, o site Grande Prêmio já havia cravado, por exemplo, que Felipe Massa havia assinado um contrato com a Williams e esperava apenas que a Mercedes finalizasse a contratação de Bottas. Já Wehrlein, piloto do programa de jovens talentos da equipe alemã, por mais que tenha tido a esperança de ascender às "Flechas de Prata", já negociava sua ida à Sauber desde antes de Rosberg pendurar o capacete. E esse sempre foi seu destino mais provável.

Ou seja, tudo já estava desenhado.

Contudo, o que a confirmação dos destinos destes três pilotos muda no panorama para a temporada 2017 da Fórmula 1? Bem, é isso o que tento analisar nas linhas abaixo.

Bottas: uma boa opção para a Mercedes


A chance da carreira. É desta forma que Valtteri Bottas deve estar tratando sua ida para a Mercedes. Após quatro temporadas guiando pela Williams sem poder lutar efetivamente por vitórias, o finlandês dá agora o passo fundamental na busca pelo status de piloto de ponta que ele pode alcançar.

A escolha da Mercedes não surpreende. Na verdade ela já era esperada. E convenhamos, a aposta da cúpula germânica não foi nada ruim.

Valtteri Bottas é bom piloto e tem uma sólida carreira até aqui. Campeão da Fórmula Renault 2.0, do Masters de Fórmula 3 em duas oportunidades e da GP3, o finlandês já demonstrou, ao longo das quatro temporadas em que está na F-1, que tem capacidade para brigar por vitórias com o carro certo em mãos. Desde 2013, Bottas conquistou 411 pontos e nove pódios, além de uma volta mais rápida, nas 77 largadas que fez na F-1 em 78 provas (só não participou do GP da Austrália de 2015). Além disso, em todos esses anos, ele nunca terminou atrás de um companheiro de equipe na tabela de classificações, tendo enfrentado Pastor Maldonado (em 2013) e Felipe Massa (entre 2014 e 2016).

Contra Maldonado, por exemplo, ele terminou o ano com mais pontos (4x1), mas terminou menos provas à frente do venezuelano do que o contrário, em que se pesem os fatos de ele ainda ser um estreante e de ambos contarem com um dos piores carros da Williams em todos os tempos. Já ao enfrentar Massa, o finlandês sempre foi superior ao companheiro. Em 2014, Bottas foi o quarto colocado no mundial (um resultado excepcional) enquanto Massa foi o sétimo. No ano seguinte, o finlandês foi o quinto, imediatamente à frente do brasileiro. Já na temporada passada, Valtteri foi oitavo enquanto Felipe terminou o mundial em 11º.

Talvez tais estatísticas não tenham uma relevância tão grande, mas servem para ajudar a ilustrar que Bottas é um piloto bastante competente e que pode ainda elevar seu nível na Mercedes. E essa aposta, por si só, já valeria para a equipe.

Bottas terá em 2017 a grande chance de sua carreira guiando pela Mercedes - Foto: Reprodução Twitter da Mercedes

Além disso, vejo no finlandês uma característica que pode ser essencial para não conturbar novamente o ambiente na escuderia: ele não parece fazer o tipo "encrenqueiro", o que já é um bom sinal para Toto Wolff e companhia.

Todos nós pudemos acompanhar o quão difícil foi para a Mercedes lidar com o ambiente bélico criado pela rivalidade entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg. Amigos até mesmo durante o primeiro ano em que dividiram a garagem da Mercedes, os dois acabaram deteriorando o bom relacionamento que tinham a medida em que o time dominava mais e mais o campeonato. E administrar um ambiente ruim dentro do time não é fácil.

Tendo agora a dupla Hamilton/Bottas, acredito que a cúpula da Mercedes terá uma vida mais sossegada neste sentido, pois não acho que o finlandês será o cara que chegará pra "tocar o terror", como se diz popularmente e como outros pilotos do grid poderiam fazer.

mas não se enganem: Bottas não será também um cordeirinho pronto para servir de escudeiro para Hamilton. O piloto do carro #77 vai chegar com fome, é claro, querendo aproveitar cada chance para vencer, ainda que tenha de esperar sua vez para poder começar a dar as cartas. E sendo assim, talvez não seja uma boa ideia partir para um confronto direto e feroz com o inglês. Ele só teria a perder com isso.

Creio que Bottas poderá ser uma peça importante para a Mercedes. Vejo nele um piloto com capacidade de pontuar regularmente, subir ao pódio na maioria das provas, caso a equipe alemã mantenha o mesmo nível dos últimos anos, e até mesmo vencer algumas provas. Só não sei se ele terá capacidade de bater de frente com Lewis Hamilton na briga pelo título, pelo menos em um primeiro momento.

Massa: a opção óbvia da Williams


Aposentado da F-1 após o GP de Abu Dhabi, Felipe Massa está de volta à Fórmula 1 e a Williams, última equipe que defendeu na categoria. E mesmo que esse movimento não estivesse nos planos do time de Grove e nem do vice-campeão mundial de 2008, ele acabou se tornando "necessário" com a ida de Valtteri Bottas para a Mercedes.

Pelo que dá pra entender, a Williams resolveu optar por um caminho mais conservador com a contratação de Felipe Massa. Talvez, a direção da equipe acredite que o brasileiro, por sua experiência, seja o piloto ideal para exercer a função de líder, em meio a mudança de regulamento pela qual a categoria passa.

Após se aposentar, Felipe Massa voltou atrás na decisão para liderar a Williams em 2017 - Foto: Reprodução Twitter da Williams

Trabalhando no desenvolvimento de seu novo bólido desde o meio de 2016, a Williams preferiu não jogar a responsabilidade nas mãos de dois pilotos jovens e com pouca ou nenhuma experiência. E por já contar com o jovem estreante Lance Stroll, a equipe inglesa precisou correr atrás de alguém com mais rodagem, justamente para equilibrar essa conta.

Aliás, o mercado de pilotos também não trazia tantas opções. Ou eles apostavam em algum jovem, ou tentavam convencer Felipe a correr por mais um ano. Pra sorte deles, o brasileiro aceitou voltar atrás em sua decisão de parar e continuará na categoria.

Além disso, o que também se diz é que a Martini, principal parceira da Williams, exigiu que a equipe contratasse um piloto maior de 25 anos para fins comerciais. Não pegaria bem utilizar a imagem de dois jovens para promover o produto que a empresa comercializa, no caso, bebidas alcoólicas.

Claro que o retorno de Massa gera um anticlímax gigante com relação a sua despedida, mas não vou julgá-lo - aliás, quero fazer um texto somente sobre esse assunto. Se ele está feliz com sua decisão e se a Williams também está, boa sorte para ambos.

Wehrlein: hora de ganhar experiência na espera por uma chance melhor


Produto da academia de jovens talentos da Mercedes e até certo ponto especulado para a vaga aberta por Nico Rosberg, sobrou para Pascal Wehrlein um assento na Sauber. E analisando friamente, não é o fim do mundo para o jovem e promissor alemão.

Claro que a perspectiva de poder substituir Rosberg na Mercedes era anos luz mais atraente do que ir para uma cambaleante Sauber. Era a chance pela qual todo piloto espera. Porém, Wehrlein, ainda que tenha se destacado levando a pequenina Manor a pontuar na temporada, pode aguardar mais um pouco, aprendendo um pouco mais sobre a categoria e os novos carros em uma equipe que permite e incentiva o surgimento de novos valores.

Pascal Wehrlein terá tempo para se desenvolver e ganhar experiência na Sauber - Foto: GPUpdate.net

Por mais que venha apenas sobrevivendo na categoria nos últimos anos, com diversos problemas financeiros, a Sauber tem em seu histórico o "know-how" de sempre lançar bons e promissores pilotos. E com uma perspectiva menos sombria para 2017, a equipe suíça pode ser um bom lugar para Wehrlein conseguir se desenvolver ainda mais como piloto.

Acredito que o alemão possui o que é necessário para se tornar um bom piloto, capaz de lutar no topo dentro de alguns anos. Por isso, não é momento de ter pressa e sim de aprender e ganhar quilometragem. Mostrando seu valor na Sauber, uma boa oportunidade certamente chegará para Wehrlein.
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