Como esperado, Ogier confirma vitória em Monte Carlo

Francês abre caminho na busca pelo tetracampeonato do WRC com terceira vitória nas trilhas monegascas

Futuro incerto

Robert Kubica revela que pode deixar o WRC após o Rali de Monte Carlo e vê possibilidades de voltar às pistas

Alguns pensamentos sobre o GP do Brasil

Algumas palavrinhas sobre o GP do Brasil mais chatos dos últimos tempos

Acabou?

Com 53 pontos de vantagem para Nico Rosberg, Lewis Hamilton já teria garantido o título de 2015? Veja análise

Dica do dia: Ayrton - Retratos e Memórias

Canal Brasil passa a exibir, a partir deste sábado, série com dez episódios contando passagens da vida e da carreira do tricampeão

domingo, 24 de janeiro de 2016

Como esperado, Ogier confirma vitória em Monte Carlo


Em Monte Carlo, apenas três especiais foram disputadas hoje. E elas serviram para que Sebastien Ogier confirmasse sua primeira vitória nesta temporada do mundial de ralis. Depois de terminar o terceiro dia de competições com uma imensa vantagem para o segundo colocado, seu companheiro de Volkswagen Andreas Mikkelsen, o domingo serviu apenas para que o francês confirmasse a conquista.

O tricampeão venceu duas especiais neste domingo - nas duas passagens pelo Col de L'orme - St. Laurent. A segunda passagem pelo estágio, inclusive, era o Power Stage, que lhe garantiu três pontos extras na classificação. E tudo isso sem precisar correr riscos ou ser pressionado por alguém. Assim, ficou fácil para o francês.

Com a vitória, Ogier deixa Monte Carlo em uma condição muito favorável. O francês conquistou todos os pontos possíveis do evento e abriu uma vantagem de 9 pontos para o segundo colocado na classificação geral. Não bastasse isso, Jari-Matti Latvala - seu principal rival na busca pelo título, teoricamente -, deixou a etapa de abertura do mundial zerado. Ou seja, o tricampeão começou com o pé direito a busca pelo tetra.

A segunda posição acabou mesmo com Mikkelsen. O norueguês, que terminou o sábado sob a alça de mira de Thierry Neuville, conseguiu manter seu posto sem muitos problemas. Mikkelsen ainda conseguiu uma vitória na SS15/La Bollene Vesubie - Peira Cava e ali já tinha tudo encaminhado para terminar apenas atrás de Ogier.

Já Neuville, que ainda tentava superar Mikkelsen, bem que tentou, diminuindo um pouco a desvantagem após a SS14. Mas com a vitória do norueguês no estágio seguinte e com o péssimo desempenho do piloto da Hyundai no Power Stage, não teve jeito e o belga teve de se contentar com a "medalha de bronze".

Assim como Mikkelsen e Neuville, Mads Ostberg e Stephane Lefevbre também permaneceram nas posições onde terminaram o sábado, fechando assim o top 5. Sexto colocado no geral, Dani Sordo ainda conseguiu dois pontos extras, pelo segundo lugar no Power Stage. O espanhol foi seguido por Ott Tanak, Elfyn Evans, que venceu no WRC2, Esapekka Lappi e Armin Kremer, segundo colocado no WRC2. O norueguês Ole Veiby também garantiu o triunfo no WRC3.

O WRC volta no próximo dia 11, com mais um rali na neve, desta vez na Suécia.

Classificação final do Rali de Monte Carlo


sábado, 23 de janeiro de 2016

Meeke abandona e Ogier tem caminho livre para vencer em Monte Carlo


O sábado de velocidade nas trilhas de Monte Carlo terminou. E após mais cinco especiais percorridas, o primeiro rali da temporada já tem, praticamente, um vencedor. Com uma diferença de 1min59.7s para o vice líder, o tricampeão Sebastien Ogier está com uma mão e quatro dedos nos primeiros 25 pontos deste mundial. 

Ainda que tenha terminado o sábado com uma imensa vantagem, Ogier não teve um dia tranquilo. Até chegar à SS13//Sisteron - Thoard, o piloto da Volkswagen sustentava uma vantagem de 29.1s para Kris Meeke, após ter vencido um estágio e chegado em outros dois à frente do norte-irlandês, que venceu a SS11/Lardier et Valencia - Faye 2. A batalha pela vitória parecia em aberto até aquele momento. Entretanto, Meeke acabou acertando uma pedra já no fim do 12º estágio, o que afetou a caixa de câmbio de seu DS3. Após analisar os danos, ele decidiu abandonar o rali.

Com isso, Ogier tem caminho livre para vencer pela primeira vez no ano neste domingo. E ele sabe muito bem o que precisa: "ir até o final". O francês também lamentou a falta de sorte do rival e até tentou ajudar, mas nada podia ser feito no carro do britânico.


Sem ter com o que se preocupar neste domingo, Ogier é o claro favorito a vencer. Somente um erro muito grande vai lhe tirar esse triunfo.

Por falar em abandono, quem também deixou a disputa foi Jari-Matti Latvala, para variar. O finlandês, que estava em terceiro, escapou na SS11 e danificou a suspensão dianteira esquerda de seu Polo R. Ainda assim, ele completou o estágio, mas àquela altura já tinha perdido muito tempo, caindo para o quinto posto. Além disso, não foi possível consertar os danos e ele foi obrigado a abandonar o evento.

Agora segundo colocado no evento, devido aos abandonos de Meeke e Latvala, Andreas Mikkelsen foi um dos destaques do dia. O norueguês venceu a SS10/St. Leger Les Melezes - La Batie Neuve 1, com uma dferença absurda para Ogier, o segundo. Mikkelsen foi mais de 43s mais veloz do que o tricampeão, muito por conta de sua acertada escolha de pneus para este estágio. Ele foi o único a utilizar os compostos para neve, que lhe deu mais segurança para tentar uma abordagem mais agressiva. Essa vitória acabou sendo fundamental para que ele terminasse o dia na vice-liderança, uma vez que sua vantagem ao fim do dia é de apenas 12.5s para Thierry Neuville, terceiro colocado.

Sebastien Ogier está muito próximo da vitória no Rali de Monte Carlo após abandono de Kris Meeke
Aliás, o belga foi outro destaque do dia, especialmente nos dois últimos estágios deste sábado. O piloto da Hyundai faturou a SS12/St. Leger Les Melezes - La Batie Neuve2, e a SS13/Sisteron - Thoard diminuindo um déficit que era de mais de um minuto para o norueguês. Assim, Neuville se coloca na disputa pelo segundo lugar amanhã. 

Bem longe de qualquer disputa, aparece o norueguês Mads Ostberg, da M-Sport Ford, que não briga diretamente por um lugar no pódio, mas que também não tem seu posto ameaçado. O francês Stephane Lefevbre fecha o top 5. Pelo WRC2, o Elfyn Evans segue liderando com tranquilidade, enquanto o norueguês Ole Veiby manteve sua folga no WRC3.

O Rali de Monte Carlo se encerra neste domingo, com os pilotos percorrendo mais três especiais.

Classificação geral do Rali de Monte Carlo após o terceiro dia


Fotos: WRC.com e Autosport.com

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Em disputa equilibrada, Ogier lidera Rali de Monte Carlo

 
Dois dias de evento, oito especiais disputadas e 158.13km percorridos. Esse é um pequeno resumo do que aconteceu até aqui no Rali de Monte Carlo, primeira etapa da temporada 2016 do WRC. E logo de cara já vemos uma equilibrada disputa pela liderança entre o atual tricampeão Sebastien Ogier e o norte-irlandês Kris Meeke, com vantagem momentânea para o dono do carro #1.

Como disse, o equilíbrio tem sido o grande chamariz na disputa entre Ogier e Meeke. O piloto da Volkswagen iniciará o terceiro dia de disputas com 9.5s de vantagem para o rival da Citröen, sendo que somente os dois foram capazes de vencer especiais até aqui. O francês levou cinco contra três do britânico. Por isso, nenhum dos dois possuem a menor margem de erro já que qualquer descuido pode significar a perda de segundos preciosos e que seriam dificílimos de se recuperar nas traiçoeiras trilhas monegascas.

Quem começou o evento dando as cartas foi Meeke. Na quinta-feira, o norte-irlandês, que recentemente assinou um contrato renovando por mais três anos seu vinculo com a marca francesa, fechou na liderança, 6.9s à frente de Ogier. Meeke, que também já havia sido o mais veloz durante o shakedowm, guiou muito bem, faturando a SS2/Barles - Seyne, por uma larga vantagem, suficiente para ultrapassar o francês, vencedor do estágio de abertura, Entrevaux - Val de Chalvagne - Rouaine.

Entretanto, a sexta-feira, ainda que bastante disputada, viu o troco de Ogier. Na parte da manhã, o tricampeão faturou a SS3/Corps - La Salle en Beaumont 1 e a SS5/Les Costes - Chaillol 1 tomando assim a liderança do evento antes do almoço. Meeke ficou com a SS4/Aspres Les Corps - Chauffayer 1.
 
Sebastien Ogier venceu cinco das oito especiais disputadas até agora no Rali de Monte Carlo

Já no período da tarde, com as especiais da manhã sendo repetidas, o equilíbrio ficou ainda mais evidenciado na SS6/Corps - La Salle en Beaumont 2, vencida por Ogier, e na SS7/Aspres Les Corps - Chauffayer 2, faturada por Meeke, que reassumiria a liderança por 0.8s. Porém, no fim do dia, quem riu por último foi o francês. Na oitava especial, Les Costes - Chaillol 2, ele foi simplesmente 10.3s mais veloz do que o rival, garantindo assim o primeiro lugar ao fim do dia.

Imagino que neste sábado a disputa seguirá equilibrada entre Ogier e Meeke. Como disse, não há espaço para erros e qualquer vacilo de um dos dois pode significar a perda da vitória. Por isso, uma abordagem mais cautelosa de ambos poderá ser vista amanhã. O próprio Ogier admitiu que procurou ser mais cuidadoso na SS7/Aspres Les Corps - Chauffayer 2, já que as condições eram mais traiçoeiras. Os dois postulantes à vitória também precisarão prestar atenção a detalhes, como a escolha dos pneus,  que podem ser fundamentais na disputa. Mas creio que seguiremos vendo uma boa batalha.

Bem distante da briga pela vitória, Jari-Matti Latvala aparece na terceira posição. O finlandês perdeu muito tempo logo na segunda especial do evento, quando acertou "algo" com a parte traseira de seu Polo R. Foram 20s de diferença para Ogier somente por causa desse problema. Além disso, o piloto da VW também perdeu tempo no quarto estágio, ainda que tenha sido bastante consistente ao longo do dia, marcando tempos muito próximos (e eventualmente superando) dos dois líderes. Se o finlandês não inventar um acidente nos próximos dois dias, deve figurar no pódio, pelo menos.

Quem também teve problemas foi Andreas Mikkelsen. O norueguês da Volkswagen fazia um ótimo rali, mantendo a terceira posição geral até a SS7/Aspres Les Corps - Chauffayer 2, quando rodou e perdeu um bom tempo. Com isso, foi superado por Latvala, caindo assim para a quarta posição, o que não deixa de ser um bom resultado.
 
Kris Meeke vai fazendo uma boa apresentação no Rali de Monte Carlo em disputa equilibrada pela vitória
Na quinta posição vem Thierry Neuville, que guia pela Hyundai. O belga tem tido um desempenho bastante sólido e constante, sem cometer erros a bordo de seu i20. Tanto que ele não ficou em nenhuma especial abaixo do sexto lugar. Com isso, ele ainda pode brigar pelo quarto posto com Mikkelsen. Já seu companheiro, Dani Sordo, é o sétimo colocado, logo atrás do norueguês Mads Ostberg, que voltou para a M-Sport Ford. Entretanto, esses três pilotos estão separados por diferenças consideráveis. Completam o top 10 os franceses Stephane Lefebvre, companheiro de Meeke na equipe principal da Citröen, e Bryan Bouffier, da M-Sport Ford, e o estoniano Ott Tanak, que corre em uma equipe particular.

Sobre Robert Kubica, não há muito mais o que falar a não ser que ele já bateu, durante a SS4/Aspres Les Corps - Chauffayer 1, abandonando assim a disputa do dia. O polonês deve retornar amanhã pela regra do "Super Rally", nesse que, segundo ele, pode ser seu único rali neste ano.

No WRC2, o britânico Elfyn Evans lidera com folga diante do alemão Armin Kremer, mesmo após sofrer com um furo de pneu logo no estágio de abertura do evento, que lhe rendeu um déficit de mais de um minuto. Quem também lidera com bastante tranquilidade é o norueguês Ole Veiby, no WRC3.

Neste sábado, mais cinco especiais serão disputadas.

Classificação geral após o segundo dia do Rali de Monte Carlo 


Fotos: WRC.com e E-WRC.cz

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Futuro incerto


Etapa de abertura do WRC, o Rali de Monte Carlo acontece nesta semana. E o evento que é o pontapé inicial na campanha de pilotos e equipes em busca de vitórias e do título mundial ao fim da temporada, pode representar o fim de uma experiência no mundial de ralis - ao menos por enquanto - para um deles. Segundo Robert Kubica, o rali monegasco poderá ser a única que ele disputará neste ano na categoria. O motivo? Dinheiro. Mais precisamente, a falta dele.

A situação do polonês é tão delicada que, segundo a Autosport, Kubica precisou terminar um de seus testes, nos Alpes Franceses, um pouco mais cedo por conta de um pequeno acidente. Sua equipe não tinha as peças necessárias para fazer os reparos no carro após o ocorrido. Na última sexta-feira (15), o polaco voltou à França para mais uma bateria, visando se preparar para Monte Carlo.

À mesma Autosport, o polaco explicou sua situação alegando que ele e sua equipe não possuem um programa visando toda a temporada no momento, exatamente por conta da falta de verba. É bom lembrar que Kubica participou da temporada 2015 com uma equipe própria. Dessa forma, ele sabe o quão oneroso é correr nessas condições.

"Se nós continuarmos no rali, tem de ser diferente do que foi no ano passado. Aquilo foi loucura. É um grande comprometimento fazer a temporada completa. Prefiro não fazer todos os ralis e me preparar bem só para aqueles que faremos"

Robert Kubica

Ainda assim, o polonês não está parado e busca alternativas. Kubica afirmou que tem mantido conversas com possíveis patrocinadores, porém nada de concreto apareceu. Seu único acordo, até o momento, é com a Pirelli, que o fará utilizar os pneus da marca italiana nas trilhas de Monte Carlo, enquanto boa parte dos inscritos no evento usarão os compostos fornecidos pela Michelin. O piloto foi zeloso o suficiente até mesmo para sequer cogitar uma participação no Rali da Polônia, sua terra natal. Em 2016 o WRC terá 14 etapas.

Polonês não descartou retornar às pistas caso não prossiga no mundial de ralis

Entretanto, com a falta de perspectivas a longo prazo no WRC, Kubica começou a considerar outras opções e não descarta um retorno às pistas. Com isso, sua história no mundial de ralis poderia estar chegando a um ponto final, pelo menos por enquanto, já que ele não parece propenso a se dedicar a duas competições diferentes, caso retorne às corridas em circuitos.

"Ao mesmo tempo, é possível que façamos outra coisa e há opções para a segunda metade do ano. Isso pode significar a volta a um carro de corrida. Se eu fizer isso, então dedicarei todo o meu tempo a isso - será um projeto de longo prazo. Mas por enquanto, isso não está na minha cabeça. O que tenho em mente é o Rali de Monte Carlo e ter certeza de que estarei totalmente preparado para ele"

Robert Kubica

Vamos ver o que o futuro apresentará para o polonês. Particularmente, gosto de vê-lo no mundial de ralis, ainda que em termos de resultados ele não tenha grande brilho, pelo menos na categoria principal. Robert se notabilizou muito mais por seus acidentes "espetaculares" do que por boas performances nos eventos dos quais participou, ainda que tenha tido alguns brilharecos.

Por outro lado, gostaria também de ver um retorno do polonês às pistas dado ao seu já comprovado talento. Pelo que parece, esse pode ser um caminho viável para a continuação de sua carreira desde que apresente condições para isso. Quem sabe não aparece uma oportunidade numa Fórmula E, que deve ter o início de sua terceira temporada em setembro, ou mesmo de uma categoria de turismo. São possibilidades.

De uma forma ou de outra, o que queremos ver é Kubica pilotando.

Fotos: WRC.com e BBC.co.uk

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Calendário do WRC - 2016


Calendário da MotoGP - 2016


Calendário da Indy - 2016


Calendário da Formula 1 - 2016


terça-feira, 17 de novembro de 2015

Alguns pensamentos sobre o GP do Brasil

Nem a largada do GP do Brasil trouxe algum tipo de emoção. Não lembro de corrida tão chata em Interlagos

Aqui vão umas palavrinhas sobre o modorrento GP do Brasil do último fim de semana e alguns comentários sobre o que ocorreu no pós corrida.

Uma prova chatíssima


Fazia tempo que não assistia a um GP do Brasil tão chato como esse de domingo. Faltou emoção, faltaram disputas mais intensas, faltou até mesmo aquela chuva (que vem da represa, amiiiiiigo) e sempre dá um toque de imprevisibilidade às provas. Faltou muita coisa.

Nas 71 voltas que assistimos, pudemos ver poucos brilharecos, proporcionados por pilotos que vinham mais da parte de trás do grid. Max Verstappen, Romain Grosjean, Felipe Nasr e Pastor Maldonado até fizeram algumas boas ultrapassagens, sendo combativos. Mas nada além disso.

Enquanto isso, os carros que iam a frente se dividiram em blocos, com as Mercedes na frente, a Ferrari de Vettel logo atrás, os finlandeses Kimi Räikkönen e Valtteri Bottas os seguindo, e um grupinho formado por Hulkenberg, Kvyat e Massa fechando o top 8, sem ninguém conseguindo atacar o rival que ia imediatamente a frente com mais veemência.

Pra mim, o GP do Brasil foi apenas a síntese dessa temporada 2015. Um ano chato de alguns poucos brilharecos.

Rosberg vence. E merecidamente!


Lewis Hamilton reclamou que a Mercedes não deixou que ele mudasse a estratégia para tentar surpreender e superar Nico Rosberg. Mas creio que, mesmo que essa mudança fosse autorizada, o tricampeão não conseguiria ultrapassar seu companheiro. Nico guiou muito no domingo e não deu a menor chance de reação a Lewis, triunfando de forma mais que merecida.

Nico Rosberg dominou o GP do Brasil e venceu de forma merecida. Alemão vive seu melhor momento na temporada

Ao meu ver, o alemão controlou a prova de forma magistral, não dando o menor espaço para o rival. Nico só foi incomodado pelo companheiro durante poucas voltas e mostrou-se muito inteligente para controlar os ensaios de ataques do inglês, tal como aconteceu no México. Tinha total controle da situação. Nem o erro da Mercedes em sua primeira parada foi suficiente para atrapalha-lo. E no fim, ainda abriu uma boa vantagem para vencer com tranquilidade.

Agora, Rosberg tem cinco poles e duas vitórias consecutivas e vive o seu melhor momento no ano, com o vice-campeonato assegurado, ainda que essa reação seja muito tardia, pois vem numa hora em que pode-se alegar que não vale muita coisa. Contudo, penso de forma um pouco diferente. 

Essa série de boas performances pode recobrar sua confiança, tão abalada durante toda a temporada por conta do domínio de Hamilton, fazendo dele um adversário mais combativo em 2016, pelo menos. Claro que o cenário para a próxima temporada ainda não é certo e fazer qualquer previsão é pensar muito à frente. Entretanto, Rosberg dá mostras de que pode ressurgir. E isso será bom para o próximo campeonato.

Polêmicas das estratégias


Um dos assuntos mais comentados no pós-corrida foi a estratégia adotada pela Mercedes, que elaborou táticas iguais para seus dois pilotos, como já vem fazendo durante a temporada. E foi exatamente essa falta de, digamos, flexibilidade estratégica que gerou criticas por parte de Lewis Hamilton, segundo colocado.

O inglês, que ficou a prova toda atrás do companheiro Nico Rosberg, disse que queria tentar algo diferente, uma tática que pudesse leva-lo a surpreender o adversário. Porém, sua equipe não permitiu e preferiu garantir mais uma dobradinha a arriscar perder o lugar para Sebastian Vettel. 

Pra mim, a situação da Mercedes é muito confortável, portanto não dava pra esperar algo diferente. Por mais que o campeonato já esteja decidido, é muito mais negócio para os alemães seguirem conquistando dobradinhas do que se arriscarem, ainda que seja pelo "bem do esporte". É aquela velha história do "em time que está ganhando não se mexe".

Entendo que dar estratégias iguais para seus dois pilotos serve para que a cúpula germânica mantenha ambos sob rédeas curtas, ainda que um ou outro possa reclamar aqui e ali, evitando que o clima se deteriore ainda mais levando a episódios como o da Bélgica/2014 onde a equipe sai perdendo. Por isso preferem ou não têm a necessidade de arriscar. Se fosse em outro cenário, onde precisassem de um resultado, talvez tivessem tomado outro tipo de decisão.

Estratégias iguais para os dois pilotos irritaram Hamilton, porém funcionaram para Mercedes alcançar mais uma dobradinha

Quanto a Hamilton, entendo sua frustração e não vejo suas reclamações como choro ou algo parecido. Assim como veria da mesma forma se fosse com Rosberg ou qualquer outro piloto do grid. E até concordo que, neste momento, com tudo decidido, a Mercedes poderia sim arriscar mais. Mas aí cai naquilo que disse acima: a cúpula alemã não me parece muito disposta a causar mais rusgas dentro de um ambiente que não é dos melhores. Já pensou se Hamilton recebe uma estratégia diferente e vence, sem que Rosberg tivesse o mesmo tratamento? Iria parecer favorecimento a um em detrimento do outro, tudo o que a equipe não quer no momento.

Enquanto estiver funcionando este tipo de abordagem, a Mercedes continuará seguindo este caminho.

Hamilton x Rosberg = Senna x Prost?


Pra finalizar esse resumão Mercedes/Hamilton/Rosberg, uma comparação feita por Paddy Lowe, diretor-técnico da equipe alemã.

“É muito importante para a equipe ter dois pilotos fortes, dois pilotos totalmente motivados. (...) Isso inclui a fé de que se pode vencer, não apenas corridas, mas também campeonatos. Temos muito talento nesta equipe que não posso me lembrar de nada igual desde Senna e Prost com a McLaren”

Paddy Lowe

Sobre isso, serei sucinto: MENOS LOWE, MUITO MENOS!

Vejo essas declarações do inglês mais como uma forma de inflar os egos de seus pilotos, comparando a situação a quem vivem a uma outra vivida por dois dos maiores pilotos da história, do que algo sério. Até porque, creio que outras rivalidades recentes foram até mais intensas do que essa, como a do próprio Hamilton com Fernando Alonso em 2007.

E convenhamos, mesmo que eu corra o risco de parecer saudosista, Lewis não se compara ao nível de Senna e muito menos Nico ao de Prost.

Felipe Massa desclassificado


O fim de semana de Felipe Massa não foi dos melhores. Sem obter um bom desempenho durante os treinos e a corrida, o brasileiro não passou de um oitavo lugar no domingo, que virou uma desclassificação já que, segundo a FIA, seus pneus apresentaram irregularidades. A Williams vai recorrer, mas é provável que não dê em nada.

McLaren: melhor fora do que dentro da pista


Se as coisas não estão boas para a McLaren dentro das pistas neste 2015, pelo menos fora delas o time foi um dos que chamou a atenção nesse fim de semana, graças a sua dupla de pilotos. Nos treinos de sexta-feira, Fernando Alonso teve um motor estourado. Na classificação do dia seguinte, outro propulsor foi embora, durante o Q1. E o que o espanhol fez? Foi pegar um sol sentado numa cadeira.

Sem poderem fazer muito na pista,  Alonso e Button resolveram encarar a situação ruim da McLaren com humor

E não parou por aí. Ao voltar aos boxes, o bicampeão encontrou-se com seu companheiro, Jenson Button, e ambos foram tirar fotos no pódio (de onde ficaram muito longe em 2015) pra terminar a zoeira do fim de semana, que quebrou um pouco a chatice dessa etapa.

Pelo menos o pessoal de Woking não perdeu totalmente o senso de humor...

Notas soltas


Max Verstappen foi um dos poucos que levaram alguns brilharecos ao GP do Brasil, como na bela ultrapassagem, por fora no S do Senna em Sergio Perez. Cada vez mais gosto desse moleque, que se mostra um piloto atrevido e arrojado. Estou ansioso para vê-lo em um carro que lhe dê melhores condições;

A Force India garantiu o quinto lugar no mundial de construtores, seu melhor resultado até hoje na categoria. É um time que vem trabalhando sério e que tem uma boa dupla de pilotos. Perez foi ao pódio duas vezes e Hulkenberg, se não vem tendo o destaque de anos anteriores ou resultados mais expressivos, segue sendo extremamente consistente. Torço muito pelo sucesso continuo de Vijay Mallya e seu grupo na categoria;

Felipe Nasr bem que lutou, mas as limitações do carro da Sauber impediram que ele pudesse conquistar um resultado melhor. Contudo, ele ainda vem tendo um saldo positivo na temporada. 2015 foi um ano de bom aprendizado para o brasiliense. Se tiver um carro melhor em mãos na próxima temporada, pode ser mais consistente ainda.

Fotos: GPUpdate.net e Antena3.com

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Dica do dia: Ayrton - Retratos e Memórias


Estreia neste sábado (mais conhecido como amanhã), 12 de setembro de 2015, a série Ayrton - Retratos e Memórias, na emissora por assinatura Canal Brasil. A produção é dirigida e roteirizada pelo jornalista Ernesto Rodrigues, autor da biografia Ayrton, o herói revelado, de 2004, e também diretor e roteirista da minissérie apresentada no programa Esporte Espetacular, da Rede Globo, Ayrton Senna do Brasil.

O primeiro episódio irá ao ar às 23h30, bem como os próximos dois capítulos, segundo a programação mensal da emissora. Se tudo ocorrer normalmente, o último episódio da série deverá ser exibido no dia 14 de novembro. E além das exibições dos inéditos, haverá  três reprises semanais: a primeira será transmitida no domingo, às 15h, a segunda acontece de quarta para quinta-feira, às 2h, e a terceira será mostrada na sexta-feira, às 20h30. Para ver outras informações e uma chamada para a série, é só clicar aqui.

Fiquei sabendo sobre esta série por meio de um tuite do jornalista Fábio Seixas e hoje recebi um e-mail do Globosat Play, serviço de on demand da Globosat, revelando que o primeiro episódio já estava disponível para quem assina o serviço. Portanto, já pude assisti-lo. E gostei do que vi.


A produção deve ser uma extensão daquilo que vimos na minissérie Ayrton Senna do Brasil, contando passagens da carreira e da vida de Senna por meio de entrevistas e depoimentos de pessoas que conviveram ou admiram o piloto. A cada capítulo, será mostrada uma parte da história do tricampeão. No primeiro, intitulado "Um Certo da Silva", foi descrito o processo de criação do layout do capacete de Senna, e apresentadas duas entrevistas, a primeira de Terry Fullerton, considerado por Ayrton seu maior rival em uma pista, e a segunda do famoso fotógrafo Keith Sutton, que por muito tempo trabalhou com o brasileiro após conhece-lo no início de sua trajetória nas competições europeias. O episódio dura pouco mais de 23 minutos.

Creio que essa seja uma boa dica não apenas para os fãs de Ayrton, mas também para quem gosta de automobilismo. Então, quem puder, assista!

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Acabou?

Após vitória em Monza, Hamilton abriu 53 pontos de vantagem para Rosberg e caminha a passos largos para o tri

Não, não é o blog que acabou – De volta ao batente após quatro (quase cinco) meses sem postar nada por aqui, cá estou para reativar o blog. E reabro com uma temporada 2015 da Fórmula 1 possivelmente finalizada. Lewis Hamilton venceu o GP da Itália do último domingo, 12ª etapa do mundial, e se colocou a uma distancia quase que inalcançável perante seu companheiro de equipe e principal rival na luta pelo título, Nico Rosberg, que com problemas no motor nas últimas voltas, abandonou a corrida. Agora, os dois estão separados por 53 pontos com apenas sete provas restando para o término do campeonato.

E como não poderia deixar de ser, diante de uma vantagem tão grande entre líder e vice líder, muitos especialistas já dão esse mundial por finalizado em favor do bicampeão.

Partilhando de uma opinião semelhante, tento fazer uma analise nas linhas abaixo do porquê considero que Hamilton tem tudo para comemorar o tri e se ainda há alguma esperança para que Rosberg consiga uma virada improvável.

Pontuação que traz conforto a Hamilton


Comecemos com os números e as frias estatísticas. De um lado temos Lewis Hamilton, com 252 pontos conquistados ao longo de 12 provas, o que lhe dá uma média de 21 pontos ganhos por corrida. Do outro está Nico Rosberg, com 199 pontos nas mesmas 12 etapas e com uma média de 16,58. Entre os dois pilotos das flechas de prata estão 53 pontos.

Números postos, comecemos a dimensionar os tamanhos da tranquilidade que eles trazem para um e o estrago que eles representam para as pretensões do outro.

Fazendo uma analogia simplória, Nico só teria condições de superar Lewis em no mínimo três corridas. Dessa forma, Hamilton poderia ficar em casa (ou se esbaldando nas festas em que ele tem comparecido ultimamente) nas etapas de Cingapura e Japão que ainda voltaria como líder no GP da Rússia, independente dos resultados de Rosberg. E esse é um 'gap' mais do que significativo, pois ambos possuem o mesmo equipamento e, em tese, as mesmas condições.

Com carro superior a concorrência, Hamilton pontuou em todas as corridas e só não foi uma vez ao pódio, na Hungria
Mas a situação do alemão é bem pior do que isso, pois ele não depende mais de seus próprios esforços. Mesmo que baixe um santo em Nico Rosberg e ele saia ganhando corrida atrás de corrida, vencendo assim todos os GPs até o fim do mundial e somando 374 pontos ao fim de uma sequencia que seria excepcional, ele ainda perderia o título caso Hamilton termine as sete etapas restantes em segundo lugar. 

Nesse cenário, o dono do carro #44 finalizaria sua campanha com 378 pontos, quatro a mais que o seu companheiro. E ele poderia até se dar ao luxo de terminar uma dessas etapas em terceiro, que ainda comemoraria o tri por um ponto.

Os números estão, definitivamente, ao lado de Hamilton, o que lhe traz uma situação de muita tranquilidade.

Desempenho favorece o bicampeão


Outro ponto que deve ser considerado nesta analise é o desempenho da dupla neste mundial. Desde o início da temporada já sabíamos que a disputa pelo título ficaria restrita entre Hamilton e Rosberg. Pela forma com que a Mercedes dominou o campeonato passado e pelas poucas mudanças técnicas e de regulamento de 2014 para 2015, era certo que os alemães seriam poucas vezes ameaçados, como tem acontecido. Assim, a única duvida que ainda restava era sobre a disputa interna: teria mesmo Nico Rosberg condições de superar Lewis Hamilton na pista? Bem, 12 etapas depois do início do mundial, a resposta parece clara.

Foram poucos os momentos neste ano em que o alemão conseguiu fazer frente ao inglês. Hamilton tem sido muito superior há exatamente um ano, desde o GP da Itália do ano passado. De lá pra cá aconteceram 19 corridas, com 13 vitórias do britânico contra quatro do germânico. Mais que o triplo. E nas duas provas que não tivemos pilotos da Mercedes no topo do pódio nesse período (ambas vencidas por Sebastian Vettel), Lewis terminou à frente de Nico. Ou seja, o bicampeão chegou 15 vezes à frente do companheiro entre as duas etapas italianas.

Não bastasse isso, Hamilton tem batido Rosberg em um quesito que o alemão dominou no ano passado: as pole positions. Só neste ano são 11 poles do piloto do carro #44 contra apenas uma do dono do carro #6. À titulo de comparação, Nico marcou 11 poles em 19 etapas no mundial de 2014, o que mostra como ele tem sido engolido por Lewis até mesmo nas situações onde ele se sobressaia.

Bicampeão já venceu sete provas neste ano e marcou 11 poles. Seu rival ganhou apenas três vezes e tem uma pole
O fato é que Nico Rosberg não tem conseguido dar respostas consistentes a performance do companheiro. Por mais que ele tenha ameaçado o inglês com vitórias nos GPs da Espanha, Mônaco e Áustria (suas três únicas até aqui em 2015) em uma série de quatro provas, que incluiu o GP do Canadá, vencido por Hamilton.

Aliás, podemos dizer que Nico ganhou com "méritos próprios" somente na Espanha, quando fez a pole e venceu com autoridade, e na Áustria, onde superou seu rival com uma bela ultrapassagem na largada. Sua vitória nas ruas de Monte Carlo, no entanto, caiu em seu colo, após um erro de estratégia da Mercedes, que chamou Lewis para um pit que muitos julgaram desnecessário. O inglês tinha aquela etapa sob controle.

Como vemos, desde a prova no circuito de Red Bull Ring que Rosberg não consegue superar seu adversário. E a contar daquela corrida em diante, Hamilton chegou todas às provas à frente do germânico, vencendo três delas.

Não bastasse a vantagem na tabela, o desempenho de Lewis tem sido superior ao de Nico no ano. E isso só traz mais segurança às opiniões de que o britânico será campeão.

Retrospecto também ajuda o inglês


Se os números e o desempenho de Hamilton já soavam como socos nas pretensões de título de Rosberg, o retrospecto vem como mais um golpe para desanimar o alemão, ainda que este possa ser o ponto de menor relevância nesta analise.

Das últimas sete provas do calendário, Lewis venceu cinco delas, sendo três (Cingapura, EUA e Abu Dhabi) por mais de uma vez. São pistas onde ele guia com muita propriedade. Já suas vitórias em Suzuka e em Sochi aconteceram no ano passado - o GP russo só aconteceu uma vez, é bom frisar. Dessa forma, somente em Interlagos o inglês não tem vitórias, bem como no autódromo Hermano Rodriguez, que retorna ao calendário somente neste ano.

Lewis já venceu em cinco das próximas sete pistas por onde a F1 passará até o fim do ano. Nico só ganhou em uma
Rosberg, por sua vez, nunca triunfou em nenhum dos circuitos listados acima, a exceção de Interlagos, onde venceu no ano passado. Seus melhores resultados em Marina Bay (2008), Suzuka, Sochi e Austin (todos em 2014) são segundos lugares, enquanto em Yas Marina sua melhor posição de chegada foi um terceiro lugar, em 2013.

Aliás, aqui vai um dado curioso sobre Nico: de suas 11 vitórias na F1, 10 foram conquistadas na primeira metade de um campeonato. Sua única vitória no pós-férias da F1 foi justamente no Brasil.

Por esses motivos, se quiser ser campeão o alemão vai precisar, além de ter sorte, quebrar alguns tabus em sua carreira.

Há ainda algum tipo de esperança pra Rosberg?


Não se pode dizer que as esperanças acabaram para Rosberg. Matematicamente, o campeonato ainda está em aberto e enquanto houver chances é possível acreditar. Contudo, conquistar o título será uma tarefa muito difícil. E o próprio atual vice-campeão da categoria admite isso, segundo a Sky Sports.

"Após a quebra do meu motor e a vitória de Lewis (Hamilton) seria necessário um pequeno milagre para ganhar o título mundial na Fórmula 1"

Nico Rosberg

Sendo otimista, para mim só há um jeito de Rosberg ganhar o título: contando com muita sorte de sua parte e azar da parte de Hamilton.

Como disse acima, as perspectivas do alemão são muito ruins. Já não depende mais de seus próprios esforços para ser campeão, tem sido superado por Hamilton de todas as formas possíveis e seu retrospecto nas pistas que vêm por aí é inferior ao do inglês. Então, só lhe resta torcer para que o companheiro tenha dificuldades nas pistas durante as próximas etapas. Enumero algumas delas.

Falhas mecânicas: ainda que a Mercedes tenha melhorado no quesito confiabilidade de 2014 para 2015, a equipe não está imune a problemas. E o próprio Rosberg sentiu isso na pele em Monza, com o motor de seu carro indo para o espaço. Por isso, não dá pra descartar essa hipótese apesar de que, à essa altura do campeonato, a Mercedes fará de tudo para minimizar possíveis falhas que afetem seus dois pilotos.

Apesar das poucas chances de título, Rosberg ainda pode ter esperanças. Problemas com Hamilton podem ajudar
Contudo, nem sempre é possível evitar problemas em um equipamento tão complexo quanto um carro de F1.

Erros de Hamilton: mesmo guiando de forma mais madura e com a tranquilidade trazida pela vantagem que possui, Lewis não é imune a erros. E dois episódios desta temporada ilustram isso. A dupla da Mercedes teve largadas ruins nos GPs da Inglaterra e da Hungria, perdendo as primeiras posições para Williams e Ferrari, respectivamente. Em Silverstone, Hamilton ainda conseguiu se recuperar durante a prova e vencer. Contudo, quase colocou tudo a perder ao exagerar em uma tentativa de ultrapassagem em Felipe Massa, durante uma relargada.

Já em Hungaroring, depois de cair da pole para o quarto lugar na primeira curva, o inglês tentava se aproximar para ultrapassar Rosberg. Entretanto, ele voltou a se precipitar e acabou saindo da pista e perdendo várias posições. Aliás, nesta mesma prova ele teve batalhas duras no meio do pelotão, cometendo alguns erros e perdendo terreno. Salvou um sexto lugar no fim, mas poderia ter ido bem melhor do que foi.

Ressalto que esses são casos isolados em uma temporada que Hamilton tem sido, de fato, o melhor piloto do grid. Mas erros acontecem. E muitas vezes acabam sendo onerosos.

Ações externas: coisas que fogem ao controle de pilotos e equipes também podem ajudar Rosberg. Uma chuva que caia na hora errada para o rival, um pneu furado, um erro de outro piloto que afete Hamilton, tudo isso pode acontecer e dar aquela mãozinha para Nico. Às vezes, são momentos como esses que mudam os rumos de um campeonato, mesmo que passem despercebidos.

Claro que contar somente com esse tipo de acontecimento na luta por um título é muito pouco. Sem contar que o alemão vai precisar também fazer sua parte, aumentando seu nível de pilotagem. Mas é só isso o que Nico tem no momento. E ele vai ter de se apegar a essas chances se não quiser amargar mais um vice campeonato.

Fotos: GPUpdate.net

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Lewis Hamilton vence e segue dando as cartas em 2015

Lewis Hamilton alcançou sua terceira vitória em 2015 e segue caminhando a passos largos rumo ao tricampeonato
Lewis Hamilton de novo. Pela terceira vez no ano. Pela 36ª na carreira. O inglês começou a temporada 2015 arrasador. Além das três vitórias, ele ainda tem quatro poles, um segundo lugar e uma ótima vantagem no mundial. São 93 pontos contra 66 de seu companheiro, Nico Rosberg. Mais do que uma corrida.

Hamilton venceu o GP do Bahrein pelo segundo ano consecutivo de maneira categórica. Largou na frente, se manteve na ponta na primeira curva e durante toda a prova, exceto por algumas voltas após seus pits. E não sofreu nenhuma ameaça séria durante as 57 voltas do GP bahrenita. Nem mesmo quando viu sua vantagem construída no primeiro stint ser totalmente destruída, depois de sua primeira parada, ou quando Kimi Räikkönen, com pneus macios, vinha mais rápido no fim da prova. Já era tarde para que o finlandês tentasse algo. O único susto mesmo veio com os freios, já na parte final da prova.

A vitória do bicampeão mostrou o quão ele está confortável e dono da situação neste atual momento do campeonato. Com o melhor carro em mãos, Hamilton não tem tido adversários e em condições normais, deverá seguir nesta toada. Está cada vez mais difícil supera-lo em 2015.

Mas o GP do Bahrein não ficou marcado apenas pelo controle absoluto de Hamilton lá na frente. A quarta etapa do mundial serviu também para que um piloto tentasse reagir no mundial. Falo de Kimi Räikkönen.

O finlandês, que voltou ao pódio após 24 etapas e mais de um ano sem beber champanhe, fez uma ótima corrida. Foi o único dos quatro ponteiros que apostou em uma estratégia diferente, optando por fazer o segundo stint com pneus médios para colocar os macios no fim. E a escolha deu resultados, já que no fim da prova ele estava mais rápido que os rivais da Mercedes. Não deu para chegar em Lewis Hamilton, mas ele conseguiu superar Nico Rosberg, contando com um erro do alemão e conquistar um resultado que certamente elevará sua confiança daqui em diante. Fez de quebra a melhor volta da prova, a 41ª da carreira, o que o elevou para a segunda posição nesta estatística, ao lado de Alain Prost. Está atrás apenas de Michael Schumacher.

Com boa estratégia e desempenho excelente, Kimi Räikkönen voltou ao pódio com o segundo lugar no GP do Bahrein
Aliás, é bom lembrar que o campeão de 2007 já vinha de boas apresentações. Na Austrália teve azar com um péssimo trabalho de pit stop da Ferrari que o tirou da prova. Na Malásia, andou muito bem para terminar em quarto, após ter um pneu furado no começo da prova. E na China foi bastante consistente, terminando em quarto. Só que ainda faltava dar aquele passo rumo ao pódio e também superar o companheiro Sebastian Vettel. Räikkönen vai crescer de produção.

Fechando o pódio, veio Nico Rosberg. O alemão teve seus lampejos durante a prova de ontem, mostrando-se bastante combativo contra os carros da Ferrari. Mesmo com uma largada ruim, caindo pra quarta posição, ele conseguiu superar Räikkönen e Vettel na pista, dando pinta de que estava se recuperando do início de mundial abaixo do esperado. Mas não teve como incomodar seu companheiro, que ia tranquilo na liderança. É bom lembrar que o vice campeão de 2014 teve problemas com os freio durante toda a prova e essa pode ter sido a causa de seu erro na penúltima volta, quando passou reto na curva 1, dando a Kimi a chance de supera-lo na briga pelo segundo posto.

Apesar do resultado não ter sido o esperado, podemos dizer que Rosberg deu uma pequena resposta a falta de combatividade das primeiras provas do ano. Pode ser um passo importante para ele na sequencia do campeonato.

Na sequencia vieram Valtteri Bottas e Sebastian Vettel. O finlandês fez uma prova consistente e o quarto lugar acabou caindo no seu colo, já que Vettel precisou parar para trocar a asa dianteira danificada. Ainda assim, Bottas conseguiu segurar o alemão sem muitas dificuldades. O tetracampeão, por sua vez, fez uma prova bastante errática, motivada talvez pela asa danificada. Daniel Ricciardo foi o sexto, com uma corrida bastante discreta, mas sólida dentro daquilo que pôde fazer com o RB11. Aliás, uma das cenas do fim de semana foi o estouro do motor Renault que equipava o carro do australiano, logo após ele cruzar a linha de chegada. Romain Grosjean terminou novamente em sétimo, em uma boa evolução da Lotus. Quem também evoluiu foi a Force India, que colocou Nico Hulkenberg em oitavo no grid e Sergio Perez em oitavo na corrida. Daniil Kvyat pontuou pela primeira vez com a Red Bull, em nono, e Felipe Massa fechou o top 10, depois de uma corrida bastante difícil. O brasileiro ficou parado no grid e precisou largar dos boxes. Assim, passou a corrida toda brigando lá atrás, para salvar um pontinho.

Nico Rosberg teve lampejos de cobatividade neste domingo e proporcionou boas disputas com os rivais da Ferrari
Fora da zona de pontuação, vale um destaque meio positivo pra McLaren. Fernando Alonso conseguiu o 11º lugar, mesma posição obtida por Jenson Button na Austrália. A diferença é que na abertura do mundial, apenas 11 carros terminaram a prova. Nessa, o espanhol conseguiu ficar a frente de uma Force India, das duas Sauber e, claro, dos carros da Manor. Uma evolução para o time de Woking, ainda que Jenson Button sequer tenha tido a oportunidade de largar.

Já entre os pontos negativos estão Sauber e Toro Rosso. A equipe suíça ficou com os dois carros fora da zona de pontuação enquanto o segundo time da Red Bull viu seus dois pilotos abandonarem.

Fotos: GPUpdate.net

sexta-feira, 17 de abril de 2015

O que esperar do GP do Bahrein?

GP do Bahrein de 2014 foi bastante movimentado. Será que a dose irá se repetir neste ano? 

A Formula 1 chega para sua quarta etapa neste fim de semana no Bahrein. Então, vamos para um resuminho do que pode ser interessante observar na classificação e na corrida.

Mais uma batalha épica na Mercedes?


Palco do primeiro grande embate entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg no ano passado, o circuito de Sakhir poderá ser o cenário de mais uma batalha épica entre os dois companheiros de Mercedes. Só que em uma situação bem diferente da que vimos em 2014.

Na temporada passada, Lewis e Nico ainda viviam a euforia de terem em mãos um carro dominante e ainda não estavam totalmente concentrados em uma ferrenha briga pelo título. O resultado disso foi uma disputa de tirar o fôlego entre as duas flechas de prata pela vitória, com certeza uma das melhores dos últimos tempos. Naquela oportunidade, Hamilton levou a melhor e foi até mesmo cumprimentado por Rosberg. Mas terminava ali a camaradagem entre os dois.

Um ano depois, ambos voltam ao circuito bahrenita em situações opostas. Se no mundial de 2014 os dois estavam em condições de ‘igualdade’, em 2015 a vantagem é clara em favor de Lewis, que conquistou o titulo do ano passado e que neste campeonato vem dominando o companheiro, com duas vitórias, um segundo lugar e três poles, contra dois segundos lugares e um terceiro posto de Nico Rosberg. E isso tem mexido com o alemão, que quer usar a corrida para provar que pode desafiar o inglês, ainda mais depois da troca de farpas públicas entre os dois no pós-GP da China e também durante a semana.

Será que Hamilton e Rosberg repetirão a batalha épica que tiveram no circuito de Sakhir na temporada passada?
O atual momento vivido pelos pilotos da Mercedes tem bons ingredientes que juntos podem nos dar uma bela corrida para assistir. Nos treinos livres, os dois já comandaram a dobradinha da equipe alemã, com o piloto do carro #6 terminando no topo da tabela de tempos desta sexta-feira. Porém, as praticas livres não têm sido um parâmetro exato do que os dois podem fazer na classificação e na corrida. Muito pode mudar. O que fica mesmo é a sensação de que são eles que poderão protagonizar um bom pega.

Será que Rosberg conseguirá dar uma resposta a Lewis, a equipe e a todos que duvidam que ele possa superar seu companheiro ou irá Hamilton demonstrar novamente sua superioridade perante Nico?

Ferrari irá incomodar?


Segunda força nesse campeonato, a Ferrari quer voltar a surpreender, certamente. Com três pódios conquistados em 2015, todos de Sebastian Vettel que inclusive venceu na Malásia, os italianos tentarão tirar mais uma vez a vitória das mãos da Mercedes. E para isso, tanto Vettel quanto Kimi Räikkönen farão de tudo para extrair o máximo do bom desempenho do F15T em ritmo de corrida.

A Ferrari sabe que não tem o carro mais veloz do grid. Por outro lado, a escuderia confia que o ritmo de prova consistente e o baixo desgaste de pneus podem render ótimos frutos, especialmente quando a temperatura é mais alta. Foi sustentado nisso que o time venceu na Malásia, ainda que naquela etapa o calor fosse maior, já que a corrida era disputada no período da tarde.

Sebastian Vettel já venceu a Mercedes neste ano. Alemão poderá voltar a incomodar as flechas de prata no domingo
Sendo o GP do Bahrein uma etapa noturna, é normal ter temperaturas ambiente e de pista mais amenas. No entanto, é possível que a Ferrari consiga se sair bem e incomodar os carros da Mercedes um pouco mais do que na semana passada, em Xangai se conseguir fazer com que os pneus funcionem melhor do que os rivais.

A Mercedes é ainda a favorita. Mas a Ferrari está ali, louca para dar mais um bote.

Williams quer entrar na briga


A Williams não começou 2015 como terminou 2014. Contudo, o time inglês parece estar mais próximo de incomodar a Ferrari nesta corrida. O FW37 é um carro veloz e que pode lutar pelo terceiro ou quarto lugares com a Ferrari na classificação. O problema é que a equipe não consegue acompanhar os ferraristas em ritmo de corrida.

Neste fim de semana, pelo menos Valtteri Bottas conseguiu ficar próximo da Ferrari em termos de volta rápida, terminando o TL2 em quinto lugar, enquanto Felipe Massa teve dificuldades com os pneus. E isso pode ser um trunfo para os ingleses.

Felipe Massa teve problemas com pneus nesta sexta, mas Valtteri Bottas andou bem com a Williams que tenta incomodar
Se conseguirem se classificar a frente das Ferraris, os dois pilotos da Williams poderão tentar algo na corrida, ainda que seja difícil bater os italianos que têm, claramente, uma performance mais forte aos domingos.

Lotus, Red Bull, Toro Rosso e Sauber brigam no top 10


Lotus, Red Bull, Toro Rosso e Sauber devem lutar pelos lugares restantes no top 10. E vejo um bom equilíbrio entre esses quatro times, cada qual com seu trunfo.

No momento, a Lotus parece ter um carro mais equilibrado que as rivais. Prova disso que no GP da China a equipe tinha tudo para ficar com sétimo e oitavo lugares. Contudo, Pastor Maldonado fez das suas e deixou de anotar pontos preciosos para o time, ainda que Romain Grosjean tenha salvo um sétimo lugar. O carro não é ruim e se os pilotos trabalharem bem, devem pontuar.

Na Red Bull, a esperança é Daniel Ricciardo. Se os problemas mecânicos que têm atingido a escuderia dos energéticos cessarem e se o bom australiano conseguir ajustar bem o seu carro, ele será bem competitivo.

Na Toro Rosso temos dois pilotos em fase de aprendizagem, mas que já se destacam. Max Verstappen e Carlos Sainz Jr. têm se apresentado bem nesse início de temporada. Melhor inclusive do que a RBR. Só que assim como a prima rica, ambos também vêm sofrendo com a pouca confiabilidade de seus bólidos. Se não tiverem problemas mecânicos, podem estar na zona de pontuação.

Felipe Nasr tentará seguir obtendo bons resultados para a Sauber. Equipe terá dura disputa nesse fim de semana
Já a Sauber tem um carro confiável. Mas falta melhorar o ritmo de corrida do C34, ainda que Felipe Nasr venha se destacando, com dois bons resultados em três corridas. Aliás, o brasileiro é a grande esperança do time para seguir pontuando. Ele tem sido melhor do que o companheiro Marcus Ericsson, que também pode amealhar um pontinho aqui e outro ali.

McLaren melhorando?


Foi só um resultado de treino livre, mas o 12º lugar de Fernando Alonso nesse TL2 pode indicar que a parceria McLaren-Honda pode estar dando um passo adiante. A tradicional equipe inglesa tem enfrentado os mais diversos problemas nesse início de campanha e se acostumou a andar lá atrás. Talvez por isso que o tempo obtido pelo bicampeão tenha soado como uma esperança de melhora.

Por outro lado, Jenson Button teve uma sexta bastante atribulada e ficou lá atrás, entre os dois carros da Manor. Vamos ver amanhã se o time está melhorando mesmo ou se foi apenas um caso isolado.

Fotos: GPUpdate.net

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Umas palavrinhas sobre o GP da China

GP da China teve Mercedes voltando a fazer uma dobradinha e restabelecendo-se como principal time do grid

Começando por quem está por cima, a Mercedes voltou a vencer, ‘restabelecendo’ a ordem natural das forças na categoria, após duas semanas de duvidas com relação a uma possível batalha mais ferrenha com a Ferrari. Depois de ser surpreendida pelos italianos em Sepang, a equipe alemã resolveu levar algumas novidades para Xangai, a fim de retomar sua supremacia. E deu certo. Lewis Hamilton marcou a pole, com Nico Rosberg em segundo, com uma ampla vantagem de quase um segundo para a Ferrari de Sebastian Vettel no qualifying, mostrando que as flechas de prata ainda são os carros mais velozes do grid. Na corrida, Hamilton liderou a dobradinha da equipe, que em ritmo de corrida, viu a escuderia vermelha se aproximar.

A vitória do bicampeão do mundo, contudo, foi categórica. Lewis conseguiu comandar a corrida do início ao fim sem grandes dificuldades. Não foi ameaçado em momento algum pelo companheiro e muito menos pelos rivais ferraristas. Conseguiu poupar pneus e quando precisou, andou mais rápido do que todo mundo. Ele não precisou explorar todo o potencial do carro para triunfar pela segunda vez no ano. E esse é o ponto principal do fim de semana. Em condições normais, a Mercedes ainda parece ter o melhor conjunto, ainda que a Ferrari evolua. E com isso, o favoritismo segue nas mãos dos alemães.

Já a segunda posição de Rosberg, veio com um pouco mais de trabalho. O alemão precisou lutar para conservar os pneus e ficou em uma posição em que não conseguia atacar Hamilton, ao mesmo tempo em que necessitava estar alerta contra possíveis ataques de Vettel. Dentro de suas possibilidades, Nico fez uma corrida sólida. Mas falta algo para que ele possa lutar contra Hamilton.

Vitória de Lewis Hamilton foi categórica. Inglês controlou a prova do início ao fim e não foi ameaçado pelos rivais

Aliás, os companheiros de Mercedes. Rosberg começou, criticando a postura de Hamilton, que teria sido muito ‘lento’ ao longo da prova, o que teria prejudicado sua corrida. Lewis rebateu Nico dizendo que tinha de pensar em sua corrida e não na dele. E após mais uma reunião na escuderia, as coisas parecem ter se acalmado. Acho que vou fazer um post sobre a atual disputa dos dois nos próximos dias...

A Ferrari, com Sebastian Vettel em terceiro e Kimi Räikkönen em quarto, já se consolidou como segunda força do grid e principal ameaça ao reinado da Mercedes. Neste fim de semana, o time voltou a mostrar solidez de desempenho em corrida, ainda que esteja bem longe da velocidade dos carros prateados. Apesar disso, os italianos não conseguiram fazer frente aos alemães dessa vez, o que corrobora com a tese de que outras vitórias, pelo menos nessas primeiras provas, só virão em condições especificas, como ocorreu na Malásia, quando o melhor trabalho do SF15-T com os pneus duros e médios foi determinante no triunfo de Vettel.

A Williams admitiu que é a terceira força do mundial no momento. E a prova chinesa provou isso, com as quinta e sexta posições de Felipe Massa e Valtteri Bottas, respectivamente. O time de Grove não ficou nem perto de Mercedes e Ferrari e já deve estar pensando na temporada europeia, quando os times começam as fazer as primeiras grandes atualizações em seus carros. A Williams precisa melhorar seu ritmo de corrida, já quem em voltas lançadas ainda estão próximas dos italianos. Pelo menos a equipe inglesa está consolidada nesta posição.

Felipe Nasr voltou a fazer uma boa prova pela Sauber e terminou o GP chinês em oitavo, conseguindo quatro pontos

Bons destaques ficaram por conta das boas provas de Romain Grosjean, sétimo, e Felipe Nasr, oitavo. O franco-suíço teve um desempenho muito bom com a Lotus. Andou bem durante o fim de semana e levou seu carro aos pontos. O brasiliense fez o mesmo, indo ao Q3 e marcando mais alguns pontinhos. Nasr tem dominado o companheiro Marcus Ericsson.

Quem também poderia entrar nessa lista eram Max Verstappen e Pastor Maldonado. O primeiro, entretanto, teve problemas no carro que lhe impediram de marcar pontos, já que ele fazia uma prova excepcional e certamente estaria entre os dez. O segundo, por sua vez, estragou o bom desempenho que tinha – estava a frente do companheiro inclusive – com erros bizarros. Perdeu a entrada do pit e rodou duaz vezes, o que lhe jogou lá pro fundo. E ainda teve o azar de ser acertado por Button quando brigava com as McLarens. Não completou a prova.

Entre os maus destaques, ficam Daniel Ricciardo, que teve uma prova atribulada, a Red Bull, que viu Daniil Kvyat abandonar mais uma vez com um motor estourado, a Force India, que tem um carro muito ruim e a McLaren, que segue em ritmo de pré-temporada.

Fotos: GPUpdate.net

terça-feira, 17 de março de 2015

Umas palavrinhas sobre a temporada do WRC até aqui

Temporada do WRC teve início com o tradicional rali de Monte Carlo. Categoria já passou por Suécia e México também
Uma categoria que acompanho e gosto muito, mas que ainda não tinha ganhado um texto neste espaço é o WRC. Mas hoje, esse hiato de publicações sobre o mundial de ralis termina, com um breve resuminho do que vem sendo a temporada 2015 da categoria, que deverá confirmar que a dinastia dos ‘Tiões’ franceses só mudou de sobrenome.

Desde 2004, ou seja, a 11 temporadas, o campeão mundial atende pelo nome de Sebastien e vem da França. Só que agora não é mais Loeb que faz a alegria dos franceses e sim Ogier. E pelo andar da carruagem, ele continuará fazendo por muito tempo...

Ogier a caminho do tri


A temporada de 2015 do WRC deverá ficar marcada como o ano do tricampeonato de Sebastien Ogier. E não, não acho que seja cedo demais para cravar isso, baseado no que o francês tem feito até aqui.

O piloto da Volkswagen venceu os três ralis disputados no ano, conquistando 81 dos 84 pontos possíveis, o que lhe deixa com uma vantagem muito confortável em relação aos seus principais rivais na luta pelo título. Mas, o que impressiona nesses três triunfos do francês é a maneira com que ele vence.

Sebastien Ogier caminha tranquilamente para seu terceiro título mundial no WRC. Francês teve ano quase perfeito até aqui
Somente no último evento, o rali do México, que Ogier foi soberano diante dos rivais, terminando todos os dias à frente deles. Em Monte Carlo, aproveitou-se de um problema com Sebastien Loeb, que participava da prova como convidado, para assumir a liderança ainda no segundo dia e não perde-la mais. Fez isso muito bem. Na Suécia, entretanto, o bicampeão só liderou mesmo na última especial, graças a um erro de Andreas Mikkelsen, que tinha tudo para ter vencido.

Isso acontece por conta de sua habilidade e consistência como piloto. Ogier sempre está entre os líderes e dificilmente erra, estando sempre em posição de se beneficiar do erro alheio. Por isso, quando acontece algo semelhante ao que ocorreu com Loeb ou Mikkelsen, lá está o francês para se aproveitar. É uma característica que pilotos campeões têm. E Ogier tem de sobra.

O dono do carro #1 pode vir a ter problemas durante a temporada? Claro, ele não é imbatível ou infalível 9é só lembrar do erro que poderia ter custado a vitória na Suécia). Mas a julgar pelo seu histórico, é pouco provável que ele não consiga administrar o que já conquistou.

Pra mim, só uma tragédia tira o título das mãos do francês.

Andreas Mikkelsen se destaca


Vice-líder do mundial com três pódios e três terceiros lugares, Andreas Mikkelsen tem sido um dos bons destaques da temporada. O norueguês, que pilota pelo segundo time da VW, tem mostrado uma performance bastante constante e convincente e segue em clara evolução dentro a categoria.

Andreas Mikkelsen tem sido um dos bons destaques da temporada e está perto de vencer pela primeira vez na categoria
Mikkelsen é um ‘projeto’ para o futuro da marca alemã. Ainda muito jovem (tem 25 anos), o norueguês tem podido se desenvolver sem a pressão de brigar por vitórias, como têm Ogier e Latvala no time principal. E contando com um equipamento de primeira tem sido muito competente, ainda que cometa alguns erros, como por exemplo no rali da Suécia. Na oportunidade, Andreas liderava até a última especial. Mas um erro comprometeu aquela que poderia ser sua primeira vitória na categoria.

Andreas é um piloto em quem devemos ficar de olho. Tem talento de sobra para, no futuro, brigar de igual para igual com outros nomes importantes da categoria e quem sabe vencer um mundial. Certamente ele seguirá crescendo dentro do WRC, mesmo que novos erros voltem a acontecer. Eles fazem parte do aprendizado. Só que não vou me surpreender em vê-lo vencendo em breve. Tipo, nos próximos eventos.

Latvala sendo Latvala


Rápido, arrojado, corajoso. Jari-Matti Latvala tem todas essas qualidades, essenciais para um bom piloto de rali. No entanto, falta uma característica fundamental para que o finlandês possa ter sucesso (e o sucesso que eu digo é titulo) no WRC: consistência.

Por mais talento e velocidade que tenha para guiar um carro nas sinuosas trilhas de cada rali que participa, Latvala não consegue traduzi-la em vitórias porque ele não consegue conter sua agressividade e ficar longe de acidentes. Na Suécia, o finlandês escapou da trilha na SS9 e perdeu mais de oito minutos, o que acabou com qualquer chance de vitória. Já no México, ele acertou um banco de areia e quebrou a suspensão de seu Polo. Ele ainda voltou, mas não terminou na zona de pontuação.

Jari-Matti Latvala segue tendo problemas com acidentes e falta de consistência e deverá ficar longe do título mais uma vez
São erros como esses, pequenos até certo ponto, que fazem com que Latvala não dê um passo adiante em sua carreira, que tem dois vice-campeonatos (2010 e 2014). É velocíssimo, mas não consegue ser regular, o que é muito importante em competições desse tipo.

Na atual temporada, o finlandês soma apenas 19 pontos e ocupa o sexto lugar no mundial. Muito pouco para alguém do seu nível com o carro que tem. Brigar pelo título, no momento, parece impossível. Não e, de fato, mas seria uma missão extremamente complicada. Por isso, é bom que ele tente rever o que vem fazendo de errado para melhorar porque talento para vencer não lhe falta.

Hyundai evolui


A marca coreana, que voltou ao WRC no ano passado, tem tido bons resultados em 2015. Ainda não consegue fazer frente a Volkswagen, mas tem tudo para seguir melhorando nos próximos ralis.

Seu principal piloto, Thierry Neuville, é o terceiro no campeonato e foi ao pódio na Suécia. Os outros dois pilotos do time, Dani Sordo, do time principal, e Hayden Paddon, da equipe B, também conquistaram resultados interessantes que aprecem colocar a Hyundai como segunda força do certame, fato refletido na tabela de classificação.

Hyundai, que tem Thierry Neuville como principal piloto, tem evoluído bem e tem condições de voltar a vencer uma etapa
Talvez a equipe tenha condições de vencer ao menos um evento nessa temporada. Neuville ficou perto disso na Suécia.

Outros destaques


- Foi legal acompanhar Sebastien Loeb de volta par o rali de Monte Carlo. E principalmente em ver que o eneacampeão não perdeu o jeito da coisa, após dois anos longe dos ralis. Não fosse aquele pequeno erro, me arrisco a dizer que ele levaria o evento. Não tem como não ser fã do francês;

- Já a Citroen não tem tido o mesmo desempenho de anos atrás. Mads Ostberg até tem feito um bom trabalho nesse ano, sendo o quarto no mundial e tendo ido ao pódio no México, com a segunda posição. Mas ainda é pouco para a equipe que dominou o WRC por nove anos. Além disso, Kris Meeke está devendo bastante em 2015. Fica cada vez mais claro que ter um piloto como Loeb fazia a diferença para a equipe. E o que o francês fez em Monte Carlo só reforça essa tese;

- Robert Kubica ainda não completou nenhum rali na zona de pontuação em 2015. Uma pena;

- Alguém poderia dar uma chance ao tcheco Martin Prokop em um time de fábrica. É um piloto de extrema consistência que poderia contribuir muito com qualquer equipe;


- Olho no sueco Pontus Tidemand, enteado de Henning Solberg. Piloto de futuro;

Fotos: NexGen-Auto.com

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