Contradições

Como todos sabem, na última terça-feira a piloto espanhola Maria de Villota sofreu um grave acidente durante um teste aerodinâmico da Marussia, equipe da qual ela é a piloto de testes. E como consequência desse acidente, infelizmente Maria perdeu a visão no olho direito. Uma tragédia que nos faz repensar certas atitudes e rumos da categoria.

Desde aquele fim de semana trágico em Imola-1994, onde vimos o grave acidente de Rubens Barrichello e as mortes de Roland Ratzemberger e Ayrton Senna, a F1 tem tomado a melhoria na segurança dos pilotos como um dos assuntos principais em sua pauta. A evolução dos materiais utilizados na confecção dos equipamentos usados pelos pilotos e também na produção dos carros e a melhoria das condições de grande parte dos autódromos (existem as exceções, claro) são provas e reflexos dessa preocupação. 

E com isso, de lá pra cá, vimos acidentes de grandes proporções em treinos e corridas, porém, sem vitimas fatais. Um grande avanço em um esporte que tem o risco de morte inerente a ele. De cabeça, lembro de uns cinco ou seis que me chamaram mais a atenção - Michael Schumacher em Silverstone, Luciano Burti em Spa Francorchamps, Ralf Schumacher em Indianapolis, Fernando Alonso e Mark Webber em Interlagos, Robert Kubica em Montreal, Felipe Massa em Hungaroring...

Claro que nem sempre é possível evitar que os pilotos se machuquem. Em todos esses acidentes citados acima, acho que apenas o de Fernando Alonso e Mark Webber não teve consequências maiores, com os pilotos saindo "normalmente" de seus carros. Contudo, todos esses acidentes, tivessem acontecido em outras épocas, certamente teriam tido consequências trágicas.
Por outro lado, apesar dessa luta para melhorar o quesito segurança, algumas atitudes dos mandatários da categoria acabam por não condizer com todo esse trabalho, na minha opinião. Li um texto do jornalista Bruno Vicaria em seu blog no site Total Race - com o qual concordo, diga-se - que frisa exatamente algumas dessas contradições. Para ler na integra, é só clicar AQUI.

Sobre o que foi exposto por Vicaria, um dos pontos em que ele toca é com relação a realização de testes em locais que não estão preparados para tal, como foi o caso deste ensaio onde Maria de Villota se acidentou (o teste aconteceu no aeroporto de Duxford, Inglaterra). Para o jornalista, testes têm de acontecer em autódromos. Aliás, ele ressalta que os ensaios também precisam ser liberados. E concordo com ele.

Em relação aos locais de testes, sem a menor sombra de dúvidas um aeroporto não é o mais apropriado para tal, mesmo que esse ande apenas em linha reta, como foi o caso. Imperfeições no asfalto, que não é o ideal para receber bólidos que possuem um torque como o de um F1, obstáculos que possam haver no caminho e até mesmo fatores externos (animais podem invadir pistas, por exemplo) podem acabar contribuindo para uma tragédia. Ainda mais para uma piloto que tinha sua primeira experiência com um carro da categoria. Esses fatores acabam potencializando os riscos. Não é possível dizer, obviamente, que acidentes mais fortes não aconteceriam em circuitos. Porém, lá os riscos são menores.

Quanto a discussão sobre a volta dos testes, sempre fui favorável que as equipes pudessem fazer seus ensaios e não vejo mal nenhum em haver dois ou três testes coletivos, previamente agendados pela FIA, durante a temporada. A entidade pode até impor restrições quanto ao desenvolvimento dos carros, caso ache necessário, para que os times de maior poder levarão vantagem. Sei que existe aquela preocupação com um aumento nos custos, mas esse é um problema que pode ser contornado. E além do mais, pilotos precisam testar, ainda mais esses que não correm regulamente.

A F1 precisa reavaliar alguns de seus atuais conceitos e tomar certas medidas. Não adianta só se preocupar com a segurança proporcionada pelos carros e autódromos apenas em fim de semana de corrida. Evitar acidentes em testes também é necessário. Esse último, por exemplo, poderia ter sido evitado. Que, ao menos, sirva de alerta.

Foto: IG.com.br
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