Corridas Inesquecíveis - F1 - Interlagos, 2006

Ontem, 25 de abril, Felipe Massa completa 30 anos de idade. Torna-se um balzaquiano. Chega a uma bela idade. Já não é mais um menino. Tem uma esposa, um filho, é um homem de família. Tem seu (belo) emprego, uma condição de vida muito favorável e muita saúde. Felipe Massa é hoje um homem respeitável.

É também um bom profssional e um bom piloto. Se não os fosse, não estaria há tanto tempo em uma equipe de ponta como a Ferrari, temos de convir. Porém, tem sua imagem arranhada, perante ao público brasileiro, não há como negar.

Confesso que ainda não digeri bem aquele lamentável episódio no GP da Alemanha do ano passado, como muita gente por aí. Não sou hipocrita de dizer aqui que tudo já passou, que minha decepção com Felipe já se dissipou, que isso e que aquilo. Claro que, hoje, quase um ano após aquilo, compreendo muito mais as situações dos envolvidos, apesar de não concordar, o que faz com que a desilusão seja amenizada. Mas o episódio ainda é recente demais.

Porém, analisando a situação mais friamente, vejo que poucos pilotos conseguiriam bater o pé naquele momento, deixando de cumprir as ordens da Ferrari. Poucos mesmos. Não é uma desculpa para o ocorrido, mas, é um indicativo de que a F1 é um negócio e que quem está no meio, está sujeito a isso. Ou se enquadra, ou será enquadrado. Não há saída.

No entanto, não estou aqui para falar de coisas ruins e sim de coisas boas. O aniversário de alguém é uma data especial e serve para lembrarmos o que as pessoas fizeram de bom. E Felipe tem bons créditos com a torcida brasileira, como aquela vitória épica em Interlagos, em 2006.

Desde 1993, com Ayrton Senna, um piloto brasileiro não vencia em casa. Por treze temporadas, um piloto brasuca perseguiu a vitória em Interlagos, sem sucesso. Em 1994, Senna era o favorito, mas não completou a prova. Nos anos seguintes, a maior parte desta responsabilidade caiu nos ombros de Rubens Barrichello, que por algumas vezes esteve próximo da conquista, mas nunca conseguiu. Lembro que da última vez em que estive em Interlagos para ver a F1, Rubinho largou na pole e terminou em terceiro. Bateu na trave. Então, coube a Felipe Massa quebrar esse jejum.

Era o primeiro ano de Felipe na Ferrari. Ele já tinha estreado na categoria em 2002 pela Sauber e desde 2003 era contratado da Ferrari. Com a saída de Barrichello do time italiano, surgiu a oportunidade de Felipe ser promovido à equipe vermelha. E ele não fez feio em sua temporada de estréia em Maranello. Apesar de ter ficado longe da briga pelo título, entre Fernando Alonso, campeão, e seu companheiro Michael Schumacher, Massa foi o terceiro naquele campeonato. Colecionou sete pódios, com duas vitórias, a primeira na Turquia e a segunda no Brasil. Foi um belo ano.

Massa chegou ao Brasil com sua posição dentro da equipe já decidida para 2007. Seria companheiro de Kimi Raikkönen. E não tinha muita pressão, já que o terceiro lugar no mundial estava praticamente encaminhado. Aliás, acredito que isso tenha facilitado muito as coisas para ele, uma vez que as cobranças por vitórias ainda recaiam em Barrichello. Com um belo carro nas mãos, muita vontade e sem uma grande pressão, ele, quietinho, acabou sendo o grande destaque do GP, e meio que uma surpresa.

Sobre aquele GP Brasil, foi uma corrida muito especial. Além de ser a quebra de jejum de pilotos brasileiros em casa, a prova decidiu o campeonato mundial e marcou a primeira despedida de Michael Schumacher das pistas. E o alemão fez uma prova sensacional. Largando em décimo e precisando de um milagre para ser campeão (tinha de vencer e torcer para Alonso não pontuar), Schumacher nas primeiras voltas era o quinto. Mas um furo de pneu o jogou para a última posição. Para piorar, Alonso fazia uma corrida consistente, na segunda posição.

Resignado, restou ao alemão dar um show. E ele fez isso, para coroar sua grande carreira. Seria a despedida perfeita para o maior piloto de todos os tempos. Uma prova inesquecivel, onde ele mostrou uma combatividade incrível, buscando um quarto lugar. Memorável. Genial. Uma corrida que beirou a perfeição.

Contudo, ninguém beirou tanto a perfeição quanto Massa naquele fim de semana. Segundo o próprio Felipe, foi talvez sua corrida mais tranquila na carreira. Pole e vitória. Barba e cabelo. Só não fez o bigode porque Schumacher andou demais e fez a volta mais rápida da prova. Mas o brasileiro fez a segunda volta mais rápida da corrida. E liderou nada menos do que 69 das 71 voltas. Só perdeu a liderança qaundo parou nos boxes. Um desempenho incrível.

Houve até quebra de protocolo na Ferrari. Tradicionalmente, os pilotos utilizam macacões vermelhos. Mas fizeram uma exceção, naquele domingo, para que Felipe corresse com um macacão em homenagem ao Brasil, em verde e amarelo, tamanha era a confiança na vitória. E deu sorte.

No final, teve quase vinte segundos de vantagem para Alonso, o segundo. E festa nas arquibancadas. O público vibrava com a quebra do tabu e com o surgimento de uma nova esperança de títulos na F1 para nosso automobilismo. E vibravam por verem novamente um brasileiro vencer em solo patrio. Ali também começou um dominio de Massa em Interlagos que durou por três anos, com duas vitórias (seriam três caso ele não tivesse cedido seu lugar para Kimi Raikkönen ser campeão em 2007) e um vice campeonato mundial em 2008, que talvez tenha sido sua maior frustração em casa.



Aquela ensolarada tarde de 22 de outubro de 2006 lavou a alma de muita gente. E apresentou de vez um moleque baixinho por quem o brasileiro viria a torcer nos anos seguintes. O moleque é hoje um homem e segue na luta. E espero que volte a dar apenas alegrias à torcida.

Fotos: Autosport.com
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1 comentários:

SennaGOAT disse...

gP brasil 2006 E 2008 PARA SEMPRE NA MINHA MEMORIA!!!